CAPÍTULO 1 - Ahimsá: não-violência
O primeiro e, quem sabe, mais importante, preceito ético do Yoga está presente como uma das principais virtudes da cultura hindu.
Ahimsá significa, literalmente, não causar dano, não-violência, mas podemos traduzir seu conceito como compaixão. Por meio de atos compassivos o ser humano transforma sua natureza e evolui, criando no mundo material de prakriti o ideal de existência.
O conceito de ahimsa não existe apenas no Yoga e na Índia, mas em grande parte dos grandes escritos de filosofia ou religião em todo o mundo.
Grandes personalidades pregaram ahimsa como forma de vida e é assim no Yoga desde os primórdios, com grandes mestres sendo verdadeiros pilares da conduta correta e da atitude compassiva, como é o caso recente do mestre de karma Yoga, Mohandas K.Gandhi, o Mahatma. Gandhi é um caso simbólico por pregar e viver a não-violência em uma época em que temos a documentação da sua vida, e com isso podemos comprovar a eficiência dessa forma de viver, mesmo para os tempos modernos. Diz a tradição que o realizado em ahimsá transforma a predisposição das pessoas ao seu redor e em sua presença a violência é evitada.
Outros personagens históricos, como Sidartha Gautama, o Buda, e Jesus Cristo, também ensinavam e viviam de acordo com esse princípio de amor incondicional.
É natural ao ser humano acreditar em ideais de conduta. Contudo, no caso do Yoga, a ética não pode ser mais um exercício de especulação mental, pois deve-se transpor para o cotidiano do praticante.
Pode ser assustador imaginar-se resistindo a provocações e refazendo seus conceitos e preconceitos a favor de uma moral de igualdade, tolerância e aceitação. Para ajudá-lo nesse caminho, você deveria ter a orientação de um mestre ou instrutor que viva dessa forma e possa sanar suas dúvidas, sem causar angústia.
Partimos de princípio de que fazendo o que é possível hoje, você fará o impossível amanhã. Não é necessário fazer tudo ao mesmo tempo, vá gradualmente aumentando a consciência de quais são os elementos de crueldade em sua vida.
Comece com pequenos passos, tenha mais amor-próprio, se aceite, é importante o sentimento de confiança em si, para o processo de evolução. Evite situações de estresse sem fugir de seus compromissos e obrigações, e quando não puder evitar, transforme os sentimentos e pensamentos inúteis em identificação com o outro, não espere que ninguém mereça determinada atitude de sua parte, seus princípios devem guiar suas ações e não as ações alheias.
Viver de forma ética exige uma capacidade muito grande de equilibrar a mente e sua capacidade de racionalizar, até que se torne instintiva e orgânica a compaixão deve ser estimulada de dentro para fora, mediante o cultivo da mente pacífica, convivendo com pessoas que tenham os mesmos objetivos, estudando em livros, filmes, pensamentos e imagens mentais que reforcem sua decisão.
Ter a criatividade necessária para lidar com situações difíceis enquanto vivemos o momento é desafiador e estimulante, nos superamos a cada nova surpresa da vida e aprendemos a respeitar nossos limites enquanto criamos novas fronteiras.
Tenha compaixão e compreensão consigo próprio, com os próximos, os distantes, os seres humanos e outros seres vivos, coloque-se no lugar do outro para entender as circunstâncias que o levaram a agir. Identifique-se com a dor alheia e procure evitá-la. Mesmo quando o outro insiste em causar a dor, a si ou a outrem, nossa missão é buscar a própria evolução, podemos agir e até servir de exemplo, se estivermos vivendo o que acreditamos, mas só podemos viver a nossa própria vida.
Praticamente, todos os seres humanos acreditam que um mundo pacífico seria melhor e desejam a paz, mas dificilmente nos responsabilizamos por começar em nós as mudanças necessárias para que isso se torne realidade. Não espere do outro o que você não está disposto a fazer. Entenda que a realidade é o que fazemos dela e responsabilize-se por sua parcela da paz.
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